segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Programação do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (Nami/Uniso/CNPq) para 2019



É com satisfação que convidamos para as atividades do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (Nami/Uniso/CNPq) para 2019.
Este ano, o Nami dará continuidade às temáticas das narrativas e do afeto na Comunicação. 
A primeira reunião do ano, a ser realizada em 25 de março, contará com a apresentação dos resultados das pesquisas de mestrado relacionadas à temática realizadas no PPGCOM Uniso por Vanessa Heidemann, Isabella Reis Pichiguelli e Georgia Mattos.
No segundo encontro, a ser realizado em 27 de maio, serão apresentados os trabalhos de Leila Gapy e Gisele Souza (2016-2018), com enfoque na temática, além de dois trabalhos em andamento a serem escolhidos pelo grupo na primeira reunião. 
A terceira reunião, a ser realizada em 23 de setembro, contará com palestra do professor Doutor Jorge Miklos, do PPGCOM da UNIP de São Paulo. 
No quarto encontro, a ser realizado em 28 de outubro, serão apresentados trabalhos em andamento de quatro mestrandos do segundo ano do programa de pós-graduação do PPGCOM Uniso.


Cordialmente,
Professoras doutoras Miriam Cristina Carlos Silva, Monica Martinez e Tarcyane Cajueiro. 


Serviço
Trata-se de um evento certificado, válido como atividade complementar (para alunos de graduação) e atividade supervisionada (pós-graduação).

Datas: 25/3, 27/5, 23/9 e 28/10, segundas-feiras
Horário: 14h às 17h
Local: Auditório do Bloco D, Cidade Universitária Prof. Aldo Vannuchi, Universidade de Sorocaba, km 92 da Rodovia Raposo Tavares, Sorocaba.

Mais informações:
Universidade de Sorocaba – Uniso
Coordenação de Pós Graduação em Comunicação e Cultura
Tel: +55 15 2101-7104
E-mail: 
comunicacao.cultura@uniso.br



quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Relato sobre defesa de mestrado de “Processos de vinculação e redes sociais: um estudo sobre três comunidades de astrologia do Facebook”, de Vanessa Heidemann


Por Tadeu Rodrigues

Coesão é uma coisa que me salta aos olhos. A astrologia explica o porquê, virginiano que sou. Mas, mais do que isso, me fascina o empenho de uma pessoa aprofundar em algo até que surja um padrão dali.

Foi o caso da mais recente defesa de dissertação de mestrado feita por uma integrante do NAMI, Vanessa Heidemann. O título da pesquisa é “Processos de vinculação e redes sociais: um estudo sobre três comunidades de astrologia do Facebook”. A pesquisadora falou de astrologia, uma das primeiras maneiras que o Homo sapiens encontrou para explicar esse tempo cíclico (kairós, ou tempo oportuno, no idioma helênico) que interferia na sua vida e no mundo a sua volta. Num mundo onde tudo muda e, portanto, nada é confiável, no que acreditar senão na constância da abóbada celeste? E como identificar as estrelas naquele céu infinito?

O que está acima é como o que está abaixo. O que está dentro é como o que está fora, nos ensina a lei hermética da correspondência. Acontece que esse Homo sapiens, que olhava para cima tentando encontrar explicações sobre si mesmo, era um mamífero. E os mamíferos dependem da ligação com o(s) outro(s) desde o momento do nascimento. São ligantes, diria outro pesquisador francês chamado Bóris Cyrulnik. Ligam-se uns com os outros, mas também ligam às coisas. Ligam as estrelas, formam constelações. Associam essas constelações com aquilo que lhes é familiar. Dão nomes a elas. Atribuem sentidos a elas. E, a partir disso, atribuem sentidos a si mesmos.

O Homo sapiens pode não olhar mais tanto assim para as estrelas. Mas, como disse certa vez um tio da pesquisadora ao olhar as luzes da cidade: Para que olhar para as estrelas lá em cima se vocês tem tanta estrela na terra? Pois é, não dá para discordar dessa pessoa, uma hermética, mesmo sem saber. Se hoje não olhamos (diretamente) para cima, por vezes olhamos para aqueles que ainda olham. E talvez até nos liguemos a comunidades que, tais como estrelas de grande gravidade, criam uma órbita que atrai às vezes milhões de outros corpos celestes.

É sobre isso que a pesquisa defendida versou. Não apenas sobre as redes que ligam as estrelas e lhes atribuem sentidos, mas também às redes que ligam os teóricos científicos que (substituindo o papel dos astros) guiam nossos sentidos, e ainda sobre as redes que ligam esses Homo sapiens uns aos outros contemporaneamente.  Afinal, os Homo sapiens se constelam. Vinculam-se. E, ligados uns aos outros, atribuem sentido à suas vidas. Afetam-se.

Todos nós, ali presentes, testemunhamos um rito de passagem. Vimos uma graduada em Filosofia entrar, e uma mestra em Comunicação e Cultura sair. O que me leva a uma digressão. Apesar da nossa palavra rito ser originada do latim ritu, indicando um padrão cerimonial, não seria nenhum exagero aproximá-la da palavra ríton, originária do grego rhytón (por sua vez, relacionada ao verbo rhein –fluir). Os rítones, comuns nas antigas Pérsia, Grécia e Roma, eram recipientes utilizados tanto para beber os líquidos contidos neles quanto para utilizar em libações (daí a relação com o verbo fluir). Curiosamente, assim como as constelações, também eram associados aos animais.

Fonte: Ríton Leão. Getty Museum.

Se assumirmos a relação do termo brasileiro rito com o ríton, teremos algumas pistas sobre a apresentação que pudemos ver. Ao mesmo tempo em que era evidente que a pesquisadora havia bebido muito da fonte do conhecimento para chegar às suas considerações, vimos uma apresentação que fluiu perfeitamente, agradando a uma audiência formada por pessoas com as mais diferentes formações de vida.

E, se foi permitida a digressão sobre uma especulativa relação entre o rito e o ríton, porque não extrapolar isso para falar também do ritual? Poderíamos pensar, nesse contexto, como uma tradução de ritual como beber junto? Se for possível, posso ampliar meu testemunho sobre a pesquisadora que ali se apresentou. Bebemos juntos várias vezes. A ponto de eu saber que aquela pesquisa não só cumpria formalidades acadêmicas, requisitos do fazer científico, adesão com Programa de Pós-Graduação, Área de Concentração, Linha de Pesquisa, Grupo de Pesquisa e Produção Científica da Orientadora. Aquela pesquisa responde inquietações profundas da própria pesquisadora, o que é termômetro para o caráter dela: sua pesquisa não visa um volume a ser depositado numa biblioteca, visa compreender melhor o mundo que a circunda, para poder contribuir de maneira mais significativa nos dias por vir. 

Eu, ao contrário da pesquisadora, não entendo muito de astrologia. Mas tenho certeza de que às dez horas da manhã do dia 18 de dezembro de 2018, no auditório do Bloco D da Universidade de Sorocaba, a carta astral era: Sol em Vanessa Heidemann, Ascendente em Monica Martinez, Lua em Míriam Cristina Carlos Silva e Casa 12 em Jorge Miklos. É essa a carta que marca o nascimento da mais nova Mestra em Comunicação e Cultura pela Universidade de Sorocaba, integrante do Grupo de Pesquisas em Narrativas Midiáticas. Parabéns, Vane!


quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Relato do encontro “Texto e imagem nas narrativas - os modos de leitura das imagens”


No dia 29 de outubro, aconteceu o último encontro do ano, do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI/Uniso/CNPq). A palestrante convidada, Profa. Dra. Luciana Pagliarini, integra o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura, da Universidade de Sorocaba.
A Profa. Dra. Luciana, que lidera o Grupo de Pesquisa em Imagens Midiáticas (GPIM), também pertencente à PPGCC - Uniso iniciou sua fala explicando que o tema de sua apresentação estava relacionado a sua tese de doutorado.
Ao se deparar com a dificuldade com que os professores da escola em que foi coordenadora possuíam em trabalhar com livros didáticos do ensino fundamental, Luciana transformou a inquietação profissional em pesquisa acadêmica. Relacionando em sua pesquisa palavra e imagem, buscou por meio das categorias peirceanas, juntamente com os fundamentos de Lucia Santaella, analisar as narrativas e imagens inseridas nos livros infantis.
Elucidando sobre a teoria da Semiótica de Charles Sanders Peirce (1839-1914), a palestrante esclareceu que na teoria peirceana existem três categorias distintas: Primeiridade, Secundidade e Terceiridade.
A primeiridade está diretamente relacionada às sensações, ao momento contemplativo, à qualidade (cores, cheiro, textura etc.) do que é observado.
A secundidade está relacionada à observação pela qual o olhar distingue os existentes e as coisas passam a ter nomes, o sujeito passa a discriminar o que observa.
Na terceiridade é por meio do raciocínio que o sujeito passa a interpretar o que observa, esse olhar está embebido de ideologia e de consciência.
A professora ressalta que as três categorias não existem de maneira separada, ou seja, não há uma categoria pura.
Para exemplificar cada categoria, Luciana utilizou poemas dos heterônimos de Fernando Pessoa. Assim, para elucidar sobre a terceiridade:

“Vem sentar-se comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses” [...]
Ricardo Reis
                                    
O uso dos poemas remeteu aos presentes a problemática da abordagem escolar, que muitas vezes pede aos alunos que interpretem e expliquem essas narrativas. Esse tipo de abordagem impede que o aluno viva a experiência do poema, que não possui uma interpretação que possa ser considerada “certa” ou “errada”.
Sobre as relações semânticas das palavras e imagens nos livros infantis, Luciana aponta que elas podem interagir de três maneiras:
Na redundância a imagem condiz com o texto. Por exemplo, se o texto diz: “Era uma vez uma garotinha de capa vermelha”, as imagens reproduzem a mesma narrativa.
Quando há complementariedade, o texto e a imagem possuem relação, entretanto outros elementos podem surgir.
Quando há à discrepância o texto não condiz com as imagens e vice-versa.
Por meio da leitura do livro A bota e a enxada: certos contos italianos, dos autores Katia Canton e Luiz Paulo Baravelli, a palestrante convidou a todos a imaginar as cenas descritas.
Após a leitura, as ilustrações do livro foram apresentadas. Trata-se de uma linha com desenhos abstratos que se encontra de forma contínua em todas as páginas do livro.
 A docente compartilhou como foi a experiência ao ler a obra para crianças do ensino fundamental. Ao perguntar o que poderia ser a linha abstrata, uma das alunas respondeu: “É um caminho, né professora!”.
Durante o encontro aconteceu o lançamento de dois livros. O primeiro, Mídia, narrativa e estilo (literatura, cinema, videoclipe e telejornal), dos autores João Paulo Hergesel (Mestre formado pelo PPGCC – Uniso) e Míriam Cristina Carlos Silva (docente do PPGCC – Uniso). A obra é uma compilação de estudos sobre narrativas produzidas em diferentes mídias e com seus estilos particulares.
O segundo, Comunicação, arte e culturas: (re) leituras e (re) flexões, de autoria de Míriam Cristina Carlos Silva e Paulo Celso da Silva. Os textos que constituem a obra foram elaborados pelos docentes do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura, enquanto ministravam conjuntamente a disciplina Comunicação, cultura e arte. O livro aborda conceitos desenvolvidos por pensadores como Ciro Marcondes Filho, Vilém Flusser, Michel Serres, Philadelpho Menezes, Oswald de Andrade, entre outros.
Encerramos o ano de 2018 carregando as narrativas que nos afetaram, as experiências que nos transformaram e as pontes que permitiram as travessias (cada um a sua maneira) sobre os abismos que nos circundam. 

Por Vanessa Heidemann

Relato do Encontro Cinepós: Um Conto Chinês


No dia 26 de outubro aconteceu junto aos alunos da Universidade da Terceira Idade (Uniso) o encontro do projeto Cinepós.

Com o objetivo de transpor os muros acadêmicos, proporcionando a divulgação científica desenvolvida na Universidade de Sorocaba, o projeto é uma iniciativa da Profa. Dra. Maria Ogécia Drigo, Profa. Dra. Míriam Cristina Carlos Silva e Prof. Dr. José Rodrigo Fontanari.
O encontro foi mediado pela Profa. Dra. Míriam Cristina Carlos Silva, que iniciou sua fala explicando a proposta do projeto, instigando uma sala cheia de olhares atentos sobre as questões e relações entre as narrativas fílmicas e a comunicação.
Explicando o conceito de comunicação como processo de transformação (Ciro Marcondes Filho) e como processo que envolve afeto e vínculo (Norval Baitello Junior), Míriam sugeriu aos presentes que observassem três questões na narrativa fílmica: a comunicação, a solidão e o vínculo.
O público presente no Campus Seminário teve a oportunidade de assistir a Um Conto Chinês, produção argentina de 2011, que narra a vida do solitário e ranzinza vendedor de ferramentas, parafusos e pregos, Roberto (Ricardo Darín).
Roberto segue com sua vida e manias até o dia em que vê um jovem chinês ser jogado para fora de um táxi. Mesmo contrariado decide auxiliar o rapaz que desesperado desata a falar em chinês.

Cena do encontro entre os personagens Jun e Roberto
Não compreendendo absolutamente nada, Roberto decide levar Jun (Ignacio Huanga) até a delegacia. Após se desentender com o guarda leva o rapaz para sua casa, o que promove uma série de transformações em seu cotidiano e na vida de ambos.
O encontro inesperado com o estrangeiro obriga Roberto, que vive em função do passado, a olhar para o mundo de maneira diferente.
Apesar da barreira gerada pelas culturas diferentes, os personagens afetam a vida um do outro. A partir do encontro surge, para ambos os personagens, a chance de um recomeço.
Após o término do filme aconteceu uma roda de conversa sobre as situações que mais chamaram a atenção do público.
A professora Míriam apontou que as narrativas fílmicas podem auxiliar a olhar para o “real” com outros olhos, possibilitando um olhar mais ampliado e mais crítico.
Respondendo sobre as questões envolvendo a comunicação, a solidão e o vínculo os participantes do encontro fizeram comparações entre as narrativas do filme e as narrativas de suas vidas. Como afirmou Míriam, o fato de tantas narrativas surgirem entre os presentes sugere que a produção cinematográfica Um Conto Chinês afetou e comunicou. Pois a narrativa quando comunica, vincula e faz as memórias voltarem.
Em 2019, o Cinepós promoverá novos encontros buscando o diálogo entre a comunidade e a universidade. 


Por Vanessa Heidemann

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Relato do Cinepós: “Representações Poéticas da Morte nas Narrativas Midiáticas: a novela Velho Chico”

Por Vanessa Heidemann

"Assim, as narrativas poéticas podem transformar seu público. Mesmo quando ocorre o incômodo perante uma cena, isso significa que, de alguma maneira, a narrativa afetou o telespectador".    

Aconteceu na sexta feira, dia 24 de agosto de 2018, mais um encontro do Cinepós na Universidade de Sorocaba (Uniso).
O projeto idealizado pelos docentes do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura, Profa. Dra. Maria Ogécia Drigo, Profa. Dra. Míriam Cristina Carlos Silva e Prof. Dr. José Rodrigo Paulino Fontanari busca construir uma relação com a comunidade, divulgando pesquisas para além dos muros acadêmicos.
O encontro contou com a participação da Profa. Dra. Míriam Cristina Carlos Silva e da aluna do curso de Jornalismo da Universidade de Sorocaba, Bruna Emy Camargo.
Intitulado: “Representações Poéticas da Morte nas Narrativas Midiáticas: a novela Velho Chico”, o encontro foi um retorno à comunidade sobre a pesquisa realizada durante a Iniciação Cientifica de Bruna, que contou com a orientação da Profa. Dra. Míriam.



Exibida em 2016, a novela Velho Chico foi considerada um marco na teledramaturgia da televisão brasileira. Apesar do ibope demonstrar que a produção não agradou o público, a linguagem híbrida utilizada na novela, mesclando cultura popular e erudita, teatro, cinema e televisão promoveu seu destaque.
Possuindo como eixo temático central o ódio entre duas famílias, que se desenvolve durante três gerações, a novela também abordou o amor proibido e teceu críticas sociais.
A saga com características atemporais abordava temas relacionados ao contemporâneo. Sua fotografia e figurino não permitiam ao público distinguir em que época a história se desenvolvia. Sem um tempo determinado, ela insere-se no tempo do mundo fantástico.
Para conseguir características que deixassem a época da história indeterminada, a produção da novela oferecia oficinas aos moradores das cidades onde as gravações ocorreriam ao redor do rio São Francisco. As oficinas possuíam como intenção arrecadar vestimentas dos moradores e customizá-las para as personagens da novela.
Segundo a Prof. Dra. Míriam utilizar as vestimentas da população ajudou a construir a mescla de sensação entre passado e presente, fazendo com que os telespectadores se perguntassem sobre a época da história.
Carregada de símbolos, até as roupas possuíam cores específicas para cada personagem. Assim, personagens do núcleo mais abastados usavam cores diferentes dos personagens que eram subalternos.
A partir dos conceitos sobre a morte, narrativas e o poético a pesquisa abordou de que maneira a morte dos personagens foi retratada no decorrer da saga.
O primeiro levantamento sobre as mortes dos personagens foi realizado pela aluna Bruna, que acessando a internet e o portal da Rede Globo (canal que produziu e transmitiu a novela) descobriu que dos 38 personagens considerados fixos, oito perderam suas vidas na trama.
Mostrando as cenas das mortes, o público presente interagiu com as convidadas demonstrando que as cenas comovem e muitas vezes incomodam, pois foram elaboradas propositalmente com alta dramaticidade e poeticidade.
Em todas as cenas em que os personagens morrem é possível observar símbolos que remetem à morte, como animais considerados de mau agouro, músicas e objetos.  Não passou despercebida a relação da morte entre ficção e realidade pelos participantes do encontro, pois as mortes dos atores da novela foram lembradas.
O ator Umberto Magnani Netto, que interpretava o padre Benício, se sentiu mal durante as gravações e veio a óbito posteriormente, em decorrência de um acidente vascular encefálico hemorrágico. E a morte do ator Domingos Montagner, que interpretava o personagem Santo dos Anjos. Domingos, que faleceu ao desaparecer nas águas do rio São Francisco, levantou questionamentos entre o público presente, já que a semelhança de sua morte com a história de seu personagem é evidente.
A morte dos atores, principalmente de Montagner, tornou-se tabu na época, levando o público da novela a criar várias explicações de como certos assuntos, talvez não devam ser abordados pela ficção.
Durante a fala das convidadas evidenciou-se que a novela por toda sua poeticidade pode promover camadas distintas de interpretação, sendo alternada conforme a compreensão simbólica de cada indivíduo. Assim, as narrativas poéticas podem transformar seu público. Mesmo quando ocorre o incômodo perante uma cena, isso significa que, de alguma maneira, a narrativa afetou o telespectador.    
Como não conseguimos compreender a morte, pois não sabemos o que acontece após o morrer, as pesquisadoras entendem que: “Para narrar o inenarrável resta apenas a metáfora, o simbólico, o mítico e o poético”, como foi observado na novela O Velho Chico. 
O Cinepós terá um novo encontro em outubro, informações como data, horário e local serão divulgadas pela Universidade de Sorocaba por meio das redes sociais.

29/10/2018 – Palestra de Luciana Pagliarini sobre Texto e Imagem nas Narrativas


O Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI/Uniso/CNPq), do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba, tem o prazer de convidar para nosso próximo encontro, que terá a professora doutora Luciana Pagliarini como convidada palestrante.

O evento acontecerá no dia 29/10, segunda-feira, a partir das 14h, no Auditório do Bloco C, na Cidade Universitária Prof. Aldo Vannucchi - Uniso, localizada na Rodovia Raposo Tavares, km 92.5, Sorocaba-SP.

A palestra terá como tema a relação entre “Texto e imagem nas narrativas - os modos de leitura das imagens”, ponto fundamental das pesquisas da professora Luciana, que mais recentemente vêm estudando as produções de charges nas mídias brasileiras.


A reunião também marcará o encontro de discussões afins de dois grupos de pesquisa do PPGCOM da Uniso, uma vez que a profa. dra. Luciana Pagliarini é líder do Grupo de Pesquisa em Imagens Midiáticas (GPIM).

Para os alunos que forem ao evento, haverá certificado de participação.

Cordialmente,
Professoras doutoras Miriam Cristina Carlos Silva, Monica Martinez e Tarcyane Cajueiro. 

Mais informações:
Universidade de Sorocaba – Uniso
Coordenação de Pós Graduação em Comunicação e Cultura
Tel: +55 15 2101-7104
E-mail:
comunicacao.cultura@uniso.br

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Relato do encontro NAMI: Afetos e Representações poéticas sobre a morte.

No dia 07 de maio, foi realizado o segundo encontro do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI/Uniso/CNPq) em 2018, que contou com a fala da professora doutora Míriam Cristina Carlos Silva, do PPGCC da Uniso, sobre as ligações entre os afetos – tema principal do NAMI neste ano – e seu projeto de pesquisa atual: Representações Poéticas da Morte nas Narrativas Midiáticas (Uniso/Fapesp).

O texto “Suíte Acadêmica: apontamentos poéticos para elaboração de projetos de pesquisa em Comunicação”, escrito por João Anzanello Carrascoza, foi utilizado como norte da apresentação, na qual a pesquisadora relatou o caminho percorrido até chegar à escolha do seu objeto de estudo: a morte, tema que a inquietou ainda menina, com os versos de Carlos Drummond de Andrade:

Por que nascemos para amar, se vamos morrer?
Por que morrer, se amamos?
Por que falta sentido ao sentido de viver, amar, morrer?

Míriam explicou que amamos para nos vincular e nos vinculamos para nos comunicar, de modo que comunicação e o vínculo estão completamente relacionados.

Foi com base no poema de Drummond que surgiu a inquietação para a pesquisa. Alguns de seus questionamentos foram: Como se constituem as representações que buscam comunicar a morte, nas narrativas? Quando materializadas em representações poéticas, podem caracterizar uma comunicação poética? Em que a comunicação poética difere de outras formas comunicacionais? Como rompimento com o cotidiano, a morte é a suspensão da própria narrativa. Uma comunicação poética seria uma forma de religação?

A partir da imagem do conto “A biblioteca de Babel”, de Jorge Luís Borges, a pesquisadora apresentou o conceito de semiosfera, como base para esclarecer seus alicerces teóricos na pesquisa. Compreendida como uma espécie de cosmos sígnico, a semiosfera abarca ideias que são atualizadas e transformadas constantemente: através do atrito entre conjuntos de signos, textos e códigos, novas redes vão se construindo.


A biblioteca de Babel: semiosfera em imagem

Começando por seu esposo, Werinton Kermes, que foi o responsável por incentivá-la a ingressar no mundo acadêmico, Míriam citou algumas de suas referências, como Philadelpho Menezes, Fernando Segolin e Décio Pignatari, para a compreensão sobre o poético; Norval Baitello Júnior, com os conceitos de comunicação e vínculo; e Amálio Pinheiro, que a apresentou a autores como Iuri Lotman, com o conceito de semiosfera, e Oswald de Andrade, com o conceito de antropofagia, central para Míriam por elucidar – através da noção de valores que são ingeridos, digeridos e transformados – como se dão os processos comunicacionais e culturais.

Deste ponto de partida, a pesquisadora apontou outros autores importantes em sua pesquisa, como expansões de seu alicerce teórico. Principalmente em seu projeto atual, alguns deles são: Vilém Flusser e Ciro Marcondes Filho, para pensar a comunicação, entendida como algo raro, dificílimo e transformador; Edgar Morin, para pensar sobre a morte, concebida como fundamento da cultura; Walter Benjamim, para pensar as narrativas como mediadoras da experiência humana; e Gustavo Castro e Florence Dravet, que trabalham a comunicação associada à poesia, na defesa do pensamento poético como o pensamento do aberto, da conexão, que reconecta o homem aos outros homens, ao universo e às coisas que o cercam.

Para explicar o corpus da sua pesquisa, Míriam falou primeiro sobre os corpos na pesquisa. Através de um mosaico, formado por amigos, companheiros de pesquisa, alunos e orientandos de todas as épocas, a professora contou de que maneira chegou, por meio de suas relações, conversas e trocas com essas pessoas, ao objetivo de avaliar narrativas cinematográficas ibero-americanas.


Os corpos no corpus da pesquisa

A pesquisadora relatou, então, as principais observações às quais chegou por meio das análises realizadas até o momento, a partir do filme argentino Um conto chinês (2011, direção de Sebastián Borensztein) e da produção brasileira A festa da menina morta (2009, dirigido por Matheus Nachtergaele). A telenovela global Velho Chico (2016, dirigida por Luiz Fernando Carvalho) também foi analisada, uma vez que é o objeto de estudo da pesquisa de Iniciação Científica desenvolvida por Bruna Emy Camargo, integrante do NAMI, sob orientação de Míriam. Outro contato com representações poéticas sobre a morte ocorreu através do professor Paulo Celso da Silva, do PPGCC da Uniso, que propôs a análise em conjunto dos livros em HQ El arte de volar e El ala rota, escritos por Antonio Altarriba e povoados por imagens da morte.

Destacando a força simbólica da morte, uma metáfora, inclusive, para a vida, Míriam encerrou sua apresentação com trechos de Neruda, extraídos do Livro das Perguntas:

Não será a morte afinal 
uma cozinha interminável?

Que farão teus ossos desmembrados, 
buscarão outra vez tua forma?

Se fundirá a tua destruição 
em outra forma e em outra luz?

Teus vermes irão fazer parte 
de cachorros ou de mariposas?

De tuas cinzas nascerão 
tchecoslovacos ou tartarugas?

Não vês que a macieira floresce 
para morrer na maçã?

Ainda durante o encontro foi lançado o livro O Verso da Máscara: processos comunicacionais nos larps e RPGs de mesa, resultado da dissertação de mestrado de Tadeu Rodrigues Iuama, mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade de Sorocaba (Uniso), pesquisador do NAMI e, atualmente, doutorando em Comunicação pela Universidade Paulista (Unip).


Na apresentação de seu livro, Tadeu Rodrigues falou sobre a importância do NAMI para o rumo de suas pesquisas


Tadeu Rodrigues: Da dedicação à dedicatória

Após o debate, permeado pela imagem de Abaporu, obra de Tarsila do Amaral e ícone da antropofagia (exposta por Míriam no slide final de sua apresentação).


Míriam, sob o sol de Abaporu

O encontro foi encerrado com os saborosos comes e bebes, além da tradicional foto final.


Os presentes 

O próximo encontro do NAMI será no dia 24 de setembro, durante o XII Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Cultura da Uniso – Epecom.

Aos que se interessarem, dois artigos citados ao longo deste relato podem ser acessados através dos seguintes links:

Representações Poéticas da Morte nas Narrativas Midiáticas: Um Conto Chinês: http://revistaseletronicas.pucrs.br/…/re…/article/view/27475

Quadrinhos como mídia: A narrativa histórica e poética de El Arte de Volar e El Ala Rota: https://portalrevistas.ucb.br/index.p…/esf/article/view/7991


por Gisele Gabriel, com colaboração de Isabella Pichiguelli.